
Apesar de estarmos numa semana de sobriedade e de "temperança", quando um terço da humanidade, fingindo melancolia, em jejum e se abstendo das escatológicas churrascadas, relembra e comemora as sessões de tortura e o assassinato de Cristo... o caso do conflito ocorrido na semana passada entre um ilustre deputado e uma senhora de programa (cujo preço, sua excelência achou absurdo), continua repercutindo. Segundo o noticiário, depois que os feriados da Semana Santa passarem, ela estará indo ao Conselho de Ética da Câmara denunciar o cliente por acosso moral, inadimplência e agressão, fatos que - segundo ela - podem até comprometê-la diante da comunidade cada vez maior de concorrentes e da própria sociedade, enquanto ele continua jurando, perante os Homens da Lei, que o preço era realmente exorbitante, mas que não tocou nela, 'nem sequer com um dedo'. Sempre os dedos! Que cômico e que gozado! E o mundo? Como fica o mundo? Esse simplório covil, que veio pelos séculos afora achando que os dedos só serviam para apalpar as folhas da bíblia e tocar violino? Por precaução, não diz nada e só acompanha o caso boquiaberto.
$ 3.000,00!
Três mil? É muito? Pouco? Ou um preço justo para o bolso de um parlamentar? Depende. Seria até importante voltar a Marx e ver lá no Tomo III "como o valor e o preço da força de trabalho se converte em salário". E analisar o caso, tanto do ponto de vista da qualidade do produto isto é: do cardápio, como da oferta. E claro, do cliente, do contracheque, dos penduricalhos, do mercado financeiro, do investimento daquele dia no overnight e, inclusive, de como andam as coisas lá pelo Estreito de Ormuz: O petróleo passará ou não passará?
Segundo os persas: No pasaram!
A não ser que o Trump, antes que lhe metam num manicômio, (e que, como o ilustre deputado, também tem uma longa ficha corrida com essa categoria de trabalhadoras) resolva ir pessoalmente, para o golfo Pérsico, e abrir o estreito de Ormuz na marra. O problema é que há duas pedras no meio e nos lados do caminho: uma são os camaradas do Iêmen, e a outra, os mísseis hiper-sônicos dos camaradas iranianos...
Enfim, como hoje se comemora a Páscoa, ritual supostamente judaico, mas que na verdade foi plagiado de tribos pagãs de 1500 aC, e como ninguém é de ferro, os mendigos que estavam ali em frente ao mercado dividindo um ovo de chocolate e já com meia garrafa de cachaça nas tripas, se abraçavam, vertiam até algumas lágrimas sobre os trapos (os próprios e o dos colegas) e se desejavam, ardente e repetidamente, uma Feliz Páscoa! Curiosamente, um deles, o que tinha mais pinta de ter sido um comportado coroinha, mutilado pela culpa, e que bebia num copo de papel, a cada vez que levava o copo de cachaça à boca, pronunciava: "persisti em fazer isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim..."
Uma mini orquestra, não muito afinada, ilustrava a manhã com Carinhoso, do Pixinguinha:











